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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A classe periférica vai ao Shopping Center.

(Gleison Gomes)


Parafraseando o título do filme do cineasta italiano Elio Petri (A classe operária vai ao paraíso/1971) venho aqui expor minha reflexão sobre os acontecimentos e preconceitos ainda existentes, expostos nos últimos dias. Mesmo que todo mundo diga que há leis que procurem coibir todo tipo de preconceito, percebemos dentro dessa história, a nossa hipócrita sociedade dominada por uma decadente classe dominante, pela voracidade de uma mídia sedenta de audiência e pela hipocrisia dos governantes deste país. Governantes estes, responsáveis por toda esta desigualdade vivida a cada dia diante de nossos olhos.


Mesmo que ainda alguns me venham dizer que estamos melhores do que antes, o contraste entre dominantes e dominados ainda é notório. Basta olhar estes últimos acontecimentos protagonizados nos últimos dias para perceber que ainda estamos longe de uma igualdade proclamada por muitos. E nisto não quero defender A ou B, do ponto de vista dos governos mais “progressista” ou reacionário conservador que este país já teve. A questão é que estes problemas e o preconceito existente contra o pobre marginalizado da periferia vêm de séculos e séculos em nosso país. Isso sim é algo que já deveríamos ter superado há muito tempo. Entretanto nenhum governo deu conta de solucionar de fato este problema, a fim de dar dignidade de fato aos excluídos deste país. Educação, Saúde, Segurança, Lazer e Cultura sempre foi propaganda enganosa no Brasil. Aliás, ninguém quer solucionar, pois talvez seja mais fácil investir em estádios de futebol (e dar dinheiro à FIFA) ou de gastar o dinheiro público em reformas de rodovias, por exemplo, e depois entregar á preço de banana para iniciativa privada faturar sobre a dolorida vida dos trabalhadores desta nação. E viva o pedágio. 


Mas a questão que me trouxe escrever aqui é demonstrar que os episódios se repetem. Recentemente assisti o documentário “Hiato” (2008) do diretor Vladimir Seixas. Este vídeo, gravado após 8 anos do episódio, nos mostra a ocupação de um shopping do RJ em 2000, por vários moradores da periferia do Rio e membros do movimento dos sem teto. Ao assistirmos parece ser toda repetição do que estamos vivenciando neste momento. Ao comparar os fatos, percebe-se novamente que, após 14 anos, a coisa continua a mesma. Os problemas sociais e de preconceitos ainda são muito fortes dentro do ser humano. Numa fala do filme, talvez o que mais me chamou a atenção, é o fato de uma das participantes, totalmente lúcida de sua atitude, verificar que esperava tudo da polícia, dos donos das lojas e de todo tipo de retaliações que obtiveram, mas na opinião dela, foi estar estarrecida com o olhar de desprezo dos próprios trabalhadores do shopping. Coisa que pra ela, ninguém havia pedido que tais pessoas agissem desta forma. Coisas do ser humano e de um processo de falta de consciência coletiva sobre os processos de dominação e exploração em nosso país. O filme é ótima recomendação para olharmos o sentido em que a vida vem tomando por conta da nossa imobilidade e aversão política, reproduzindo as idéias e os jargões muitas vezes conservadores e dominantes em nosso meio. 

No entanto, ao em expressar aqui e mesmo tendo muito pra falar, fico aqui com estas indagações e questionamentos, compartilhando minha indignação contra nossa sociedade, contra nossos governantes e contra nós mesmos, esperando de fato que a periferia não vá somente aos shoppings centers (ato mais do que justo como forma de protesto), mas que se aproprie de uma discussão política ampla que assuma de fato uma transformação social geral nas bases de sua estrutura, a fim de combater todo tipo de exploração e preconceito existente. Por fim, compartilho o vídeo, disponível no youtube pra quem interessar.

http://www.youtube.com/watch?v=UHJmUPeDYdg

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Escritos sobre as árvores e as plantas.

(Gleison Gomes)


Já faz algum tempo que as arquiteturas das casas mudaram e com elas aqueles belos terreiros floridos cheios de vida.
Era agradável ver nos quintais dos vizinhos aqueles imensos canteiros com pés de plantas, flores e hortas que serviam às necessidades de seus moradores. Algumas medicinais outras de pura contemplação aos nossos olhos.
Passear pelas ruas era ver toda essa beleza presente nas casas. Ali do lado uma sombra de monguba, enquanto do outro, uma boa conversa sempre era improvisada pelos vizinhos sentados num banco debaixo de um imenso pé de manga. Pelas calçadas Flamboyants e Bougainvilles davam um colorido especial à rua. Em cima do muro, trepadeiras brotavam destacando um verde cercado á algumas casas. Toda essa cena acontecia ao som da molecada correndo de um lado para o outro, subindo e descendo galhos, imaginando brincadeiras na esquina da rua. Tudo era bom e criativo.
Nesta época haviam inúmeras árvores frutíferas nos quintais. Goiabeira, cajueiro, jabuticabeira, pés de cana, pitangueira, mamoeiro entre outras tantas espécies que abrigavam e serviam de alimento aos pássaros que por lá voavam, gritando e cantando, aproveitando a fome para bicar seu alimento diário. Ora ou outra me deparava com uma orquestra de periquitos roendo uma frutinha aqui, outra ali. Apesar do escândalo, era sempre bom ouvi-los.
Passado alguns anos – cerca de duas décadas mais ou menos – eu me vejo andando pelas mesmas ruas daquela época. A devassidão das calçadas tomou conta dos quintais. Não há mais espaço para as plantas ou para as árvores. É horrível olhar as mesmas casas e imaginar aquilo que foram um dia. Ora ou outra eu me pergunto sobre os antigos moradores daquelas casas. Aqueles mesmos velhos vizinhos que migraram das fazendas que rodeavam a recém capital surgida. Essas mesmas pessoas que nasceram subindo em árvores, que nadaram em córregos de águas límpidas, que nos contavam com profundo conhecimento popular os nomes daqueles passarinhos. Meus nobres vizinhos que aprenderam o valor de um pé de planta, da importância da água e do reaproveitamento de materiais que certamente hoje seriam lixo. Infelizmente as gerações presentes não aprenderam com os seus antepassados. Não tiveram o gosto de bem conviver com a natureza e com a vida.
Um mero detalhe que sempre me pego questionando é pensar no que foram estes lugares antigamente e ver no que hoje representam. Basta comparar uma foto antiga destas casas e quintais para perceber que o atual cenário nos leva para um calçamento desenfreado que tomou conta destes espaços. Cimentaram a vida fragmentando-a em pedaços, derrubando plantas e árvores, arrancando gramas e sepultando a viva terra com a tampa encimentada do caixão. O que importa à maioria das pessoas é que seu quintal esteje limpo, sem poeira ou lama para não gerar incomodo. Lacraram suas casas por todos os lados passando por cima da terra o cimento impermeável da desilusão. O céu chora seco e abafado as chuvas que não se renovam. O resultado irresponsável desta atitude é o superaquecimento gerado nos quintais e nas casas pelo calor do sol, além de não permitir que a água penetre na terra para se renovar. Acostumamos-nos com isso, a conviver com as velhas enchentes que se espalham pelas ruas levando nossos pseudo-sonhos aos bueiros.
É por isso que hoje escrevo. Escrevo saudosamente procurando em minha mente a sabedoria dos meus antigos vizinhos que só aceitavam calçar parte da sua casa, para que não perdessem de forma nenhuma o contato com a terra fria e úmida do oitão. Esses mesmos sábios vizinhos que me ensinaram o nome daquelas verdes plantinhas que serviam para fazer chá para qualquer tipo de enfermidade. Estas mesmas árvores e plantas que hoje procuro no chão daquela velha casa e não as vejo. Quisera eu que meus olhos lacrimejassem toda água suficiente para vos fazer ressurgir destes escombros de pedras.
Às novas gerações que não vos ama eu replico:
O problema não são as árvores e as plantas e sim a falta que elas nos fazem.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Reflexões aos educadores de Goiás

Sobre o Comodismo e a nossa indignação.
(Gleison Gomes)

“Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida.”
Esta importante frase atribuída ao grande comandante da Revolução Cubana Ernesto Guevara de La Serna, nos incita a refletir profundamente sobre os caminhos que nossas vidas vêm assumindo no seio da sociedade em que vivemos.
Notoriamente percebo no (in)consciente coletivo, a apatia e o comodismo que foram tomando conta de nossas vidas, tornando esquecidas nossas virtudes e a nossa capacidade de sonhar e lutar durante o decorrer da história.
Considero no mínimo desesperador ver no dia a dia de nossas apagadas vidas, a aceitação de todas as mazelas sociais, econômicas, espirituais, filosóficas e políticas presentes em nossa realidade. Preocupamos-nos tanto com o individualismo que nos permeia, que assim agindo, deixamos para trás as raras oportunidades da construção do coletivismo e da solidariedade de classe que tanto necessitamos. Tal fato, só induz ao reducionismo dos nossos sonhos coletivos, da nossa liberdade e da esperança que nos movimenta, nos isolando sem perspectivas de mudanças em nossa realidade material concreta.  A meu ver, a apatia e o comodismo são um mal que necessita mais que urgentemente ser extinto de nossas vidas, devendo ser substituída pela coragem e a ousadia, entorpecendo definitivamente desta forma, as estruturas mais complexas de nossas mentes.
Exemplificando melhor um breve panorama sobre este ensaio, analisemos uma rápida reflexão sobre a nossa categoria de profissionais da educação aqui no município de Goiânia.
Quantos de nós, diga-se de passagem, estamos cansados de reclamar com nós mesmos sobre as diversas injustiças que hoje nos são atribuídas? A questão dos baixos salários, a falta de estrutura de trabalho presente em muitas escolas do país, a indisciplina e a violência dos alunos e da sociedade, a descrença nos pseudos representantes sindicais da educação e o descaso dos gestores públicos e políticos com a educação, são parte de conversas em muitos momentos na escola. Pesares dores a parte, sem nenhuma discordância sobre tais questões que são motivos de nossas angústias, tenho em mente que só poderemos superá-las quando fizermos em nós mesmos uma revolução interna de nossas atitudes e pensamentos.
Na singela opinião que vos apresento, vejo que muitos profissionais da educação perderam sua capacidade de sonhar, de acreditar nas mudanças, de lutar coletivamente pelos seus objetivos, de ver o sentimento de esperança em nossa frente e o pior de todos os defeitos que considero: a de viver.
Recentemente na desgastante, porém incomodante greve que fizemos paralisar quase 100% da rede municipal de Goiânia, percebi em muitas escolas por onde passei juntamente com outros lutadores da educação, que boa parte dos professores acabaram se deixando tomar pelo medo, pelo comodismo e pela apatia de ir á luta. Nestas escolas, um dos casos marcantes em minha mente, foi a de um professor que trabalhava numa escola da região leste, que após o retorno das férias de julho – mesmo com a decisão da categoria em manter-se em greve – nos disse em conversa com o coletivo de sua escola, que não tinha mais sonhos, esperanças ou fé na vida de que estas coisas poderiam ser mudadas. Demonstrou-se apático em relação a qualquer mudança ou transformação em sua própria vida. Entristeceu-me e ao mesmo tempo me indignou saber que tal educador pudesse pensar assim a vida. E mais do que isso, pensar que através deste péssimo hábito de olhar a vida, seu exemplo pudesse atingir a mente de seus próprios alunos, contaminando-os com a hipocrisia presente na maioria de nós.
São perceptíveis aos nossos olhos que muitos fatos levaram ao medo e a apatia dos professores. Desde a inatividade de muitos professores, até os motivos de ordem financeira por conta do corte de ponto, da perca do emprego (ou da dobra) e da descrença que através da greve não poderiam obter nenhum resultado positivo para a categoria, o que de fato não é verdade. Aqui cito somente alguns dos mais diversos medos difundidos com tremenda velocidade por nós ao longo desta luta.
Não os julgo por tais atos. Porém, não posso deixar passar despercebido a estas pessoas como a difusão de seu medo contagiou em pouco tempo a maioria dos educadores. Percebi como é difícil para um grande grupo que se propôs a entrar de pés e cabeça nesta luta, contagiar seus semelhantes com a coragem, a ousadia e a fé que poderia nos levar a tão esperada vitória da nossa categoria. Não podíamos ter desistido, pois mesmo diante de tantas adversidades, ficaram marcados em nossas mentes notáveis momentos dos atos que incomodaram as autoridades políticas e administrativas da nossa cidade.
Eles, acostumados a sempre serem aplaudidos pelo povo, não esperavam por um grito de cobrança por suas omissões diante de uma educação precária em nosso município. Deparamo-nos em diversas ocasiões frente ao prefeito e à secretaria de educação, reivindicando nossas bibliotecas, nossas salas de informática, nosso piso salarial, mais concursos públicos, os planos de carreiras para os agentes educativos de Cemeis e funcionários administrativos, além de outros pontos de pauta.
Como era gratificante ver nos rostos da politicagem barata do prefeito e da secretaria, um semblante de terror diante da situação constrangedora por qual tinham que passar. Por muitas vezes durante estes meses que sucederam as nossas ações, muita gente teve que ver, ouvir e engolir a nossa única arma: nossos cartazes e o grito das nossas vozes.
Para mim, como faziam falta a participação massiva dos quase 15 mil funcionários da educação de Goiânia para engrossar o coro das vozes em busca daquilo que nos propusemos a lutar desde o dia 20 de maio. No inicio era muito contagiante a indignação e a insatisfação de todos em relação aos direitos perdidos ao longo dos anos desta gestão administrativa. Porém, esbarramos em um detalhe crucial, ao sermos iludidos á acreditar que nossas reivindicações seriam somente atendidas por meio dos parlamentares na câmara municipal. Levamos uma lavada feia dos vereadores e do prefeito, que no último dia do mês de junho fez com que fosse aprovada o projeto de piso salarial de R$ 1.024,00 por 30 hs. Fomos desacreditados neste momento de refluxo dos professores por conta das férias, a deixar de lado as reivindicações e manifestações de rua, para nos iludir com o discurso do sindicato de pressionar os vereadores para aprovar o projeto defendido pela categoria desde o começo da greve. Aprovado o projeto, desistimos da luta por considerar que a justiça decretou a ilegalidade das nossas ações, não havendo para muitos mais caminho a prosseguir.  
Infelizmente, desde cedo aprendemos um mal que vai seguindo nossos passos pelo resto de nossas vidas: a de achar que sempre aparecerá um grandioso herói para nos salvar de nossos problemas. Desde pequenos aprendemos a estar sobre proteção de alguém. Você já refletiu e pensou nos desenhos de super heróis que acostumamos a assistir quando pequenos e que chegam sempre na hora das nossas dificuldades para resolverem aquilo que julgamos não dar conta de solucionar sozinho ou coletivamente. Isso se assemelha quando em nossa luta, depositamos a nossa confiança em pseudos representantes da categoria e da politicagem eleitoreira, desacreditando na nossa possibilidade de juntos fazermos coisas grandiosas e reconquistar nossos direitos perdidos.
O pior é que diante de tantas pessoas que fazem à educação neste país, ainda não percebemos a força que temos em nossas mãos, preferindo em muitas ocasiões se contaminar com o medo, a apatia, o comodismo, a covardia que ora difundimos com veemência aos nossos colegas que ainda estão em processo de decisão.
Caminhando para finalizar este breve ensaio, voltemos á frase inicial de Ernesto Guevara: “Sonhas e serás livres de espírito... Lutas e serás livre na vida. Estas palavras, me fazem refletir profundamente o quanto precisamos ainda evoluir pessoalmente e coletivamente para alcançarmos aquilo que consideramos justo por nossa tarefa de educar.
Deixar de queixar-se primeiramente por conta da repressão e pelo peso da reposição vinda por parte da secretaria de educação, repetindo em ocasiões que não fará mais greve por conta destes desajustes, deve ser o primeiro passo. Se queremos ser livres de fato e um dia conquistar a tão almejada liberdade e autonomia na educação, devemos nos libertar primeiramente de nossas atitudes e pensamentos derrotistas, se empolgando definitivamente com a coragem e a ousadia de nossos sonhos para a luta. Se hoje há um pesado fardo em nossas costas por conta do nosso ato em lutar, mais do que nunca necessitamos de empreendermos na organização da nossa luta, de forma a voltar o cipó de aroeira no lombo de quem está a nos castigar, como cantou o grande músico e compositor brasileiro Geraldo Vandré em tempos de ditadura. Por fim, convoco a todo nosso povo para irmos á luta, para mantermos viva a chama acesa da nossa indignação, acreditando que nada é impossível de mudar.

“Quem tem consciência para ter coragem?”
(Secos e Molhados)

(Dezembro de 2010)

domingo, 30 de janeiro de 2011

Sobre o Ato de Voar

Sobre o Ato de voar.
(Gleison Gomes)

            Recentemente fiz minha primeira viagem de avião. Não estava nervoso nem angustiado com isso. Estava na verdade com uma grande expectativa em relação ao meu primeiro voo ao céu.
            Sempre tive em mim um amor muito grande pela liberdade. Associava ela (liberdade) ao voo dos pássaros. Estar no céu pra mim era estar no alto, livre. Era estar mais perto de Deus. Foi perceber pela primeira vez como é ver o ser humano lá de cima.
            Não obstante, o melhor momento desta aventura foi sentir a decolagem, a hora de desprender-se do chão. Sentir isso foi estar mais leve. Foi uma emoção na qual não sentimos muito, por estar sempre pregados com os nossos pés ao chão. E assim decolei. Meus pés não estavam mais presos e uma enorme sensação de bem estar tomava conta do meu ser. Inexplicável. Era sentir como a vida fosse grande demais e o tempo que temos no mundo fosse curto para tantas coisas que podemos aprender. Voar para mim foi entender mais ainda o significado da vida.
            Percebi os encantos que a natureza tem. Os rios, os montes, a vegetação, os  raios de sol sobre o avião, as nuvens por onde me encontrava. Toda a grandeza da Terra enxerguei. O mais estranho disso tudo, foi estar lá em cima e ver as construções e as cidades. Como era curioso a sensação. O homem pode construir grandes cidades, mas a grandeza de suas obras eram imperfeitas diante de uma natureza exuberante. Procurava-os em suas construções, mas não conseguia enxergá-los. Como somos pequenos e nossos problemas mais ainda. Pelo alto não havia dificuldades ou diferenças pelo mundo, porque mal conseguia enxergar os próprios homens. Que sensação única eu tive.
            Voltei desta viagem me propondo a mudar. Se existe algo que podemos fazer pela liberdade, é deixar que os outros sintam. Não os liberto, pois a mim não pertence tal ousadia. Sobre o que aprendi? Que cada um veja por si só que ela pode ser possível. Mesmo que estejam no chão, sentir as coisas simples da vida e apreciar a natureza é desprender-se das gaiolas e arapucas que nos prendem pelo mundo. sobre estas palavras? Que elas despertem no íntimo das pessoas fortes emoções que eu mesmo desconheça.

E assim verei a vida ...
            Apenas voe.
(Texto escrito em julho de 2009 em decorrência da minha primeira viagem de avião)